“O caminho parecia tranquilo. Reto. No mapa, parecia facil chegar ao destino final. Mas as curvas começaram a aparecer. E ela caminhava.
Se perdeu no meio de uma floresta. Chegou a parar muitas vezes para pedir informacoes, mas os caminhos e atalhos eram muitos e cada um falava uma coisa. “Direita ou esquerda? Sigo em frente? Ou volto e pego o atalho?”
Ela ia seguindo, sem medo, sem pressa. Subia algumas montanhas, pulava algumas poças d’agua. Mas o lugar nunca chegava. Passou por desertos. Viu cobras. Tigres e leoes.
Os dias pareciam longos, o Sol queimava-lhe o rosto. E ela continuava andando. Por muitos dias caminhou sem agua. A boca seca. Os olhos queimavam, mas ela andava. Andava. Sentava. Descansava. E nao chegava. As vezes ate chorava. Mas logo e levantava e seguia em frente. Matando sua sede nas lagrimas e no suor.
Numa noite, uma ventania forte fez voar seu mapa. Medo. Como ela conseguiria seguir viagem sem uma orientacao? Sozinha?
Mas ela seguiu em frente.
Quando se deu conta, olhou em volta: Areia de um lado. Areia do outro. Areia por todos os lados. A reserva de agua ja estava no fim.
E foi andando, andando. E vendo casas, camelos, vendedores, velhos, bicicletas, arvores, carros, bolas, pombos, beijos, predios, garrafas, protestos, onibus, fumaça, restaurantes, praias, avioes, luz, pedras, oculos, mesas, mendigos. Mas seguia sozinha.
Parou algumas vezes, tentou perguntar as pessoas porque elas corriam tanto. Queria saber o motivo de tanta pressa. Nenhuma resposta.
Resolveu caminhar um pouco ate a praia e sentou. Se viu completamente perdida. Sem o mapa, nao sabia mais para onde ia. Por que caminhava. Pra onde estava indo.”
***
Ah, o final da estoria? Nao sei.
Essa menina eu conheci ha muito tempo atras, numa segunda ou terça-feira, correndo de um lado para o outro, quando ela, sorrindo, me perguntou onde eu pretendia chegar. Nao soube responder. Engasguei e me calei.
Voltei pra casa aquele dia, tomei um banho e fui para um café perto de casa. Enquanto esperava meu capuccino, pensava na quantidade de pedras temos que explodir cada dia. Quantos muros temos que pular. Pra que? Por que?
“Senhora, açucar ou adoçante?”
Despertei com a garçonete me trazendo a bebida e notei uma pequena borboleta colorida, tranquila, pousando na mesa. “Que linda”, pensei. Num instante ela voou. Ainda tentei acompanha-la com os olhos, mas rapidamente ela sumiu.
“Pra onde vao as borboletas? Eu quero ir pra la…”