Sinceridade ou falta de educação?

‘Aii, não curti esse seu corte de cabelo’
‘Você fica estranho de oculos’
‘Particularmente acho que você deveria usar tons mais escuros. O branco te engorda tanto…’

Por que sera que algumas pessoas têm a necessidade de expressar tudo que pensam, mesmo quando sua opinião sequer foi solicitada?

Perdi muito tempo refletindo sobre isso e nunca chego a uma conclusão. Afinal, o ser humano é muito complexo.

Mas isso me mostrou uma coisa: sinceridade pode ser uma virtude, desde que muito bem aplicada. Mas a franqueza sem limites é uma tremenda falta de respeito a individualidade do outro.

Ouviu?

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Quebram a calçada

Silenciosas, tranquilas. Arvores dao sombra. Casa de passarinho e morcego.
Acho bonito quando cheias de folhas dançando e cantarolando no ritmo do vento.

Mas nao gosto dessas da Nossa Senhora de Copacabana, enterradas no cimento.
Tristes fantasmas de tronco cinzento.

Gosto mesmo é quando as raizes quebram a calçada, tomando de volta seu espaço.
Mas gosto mesmo é quando suas raizes quebram a calçada.
Quebram a calçada.

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Depredaram Paris…

No Trocadero, resolvi das uma conferida na traseira de uma bela estatua, quando me deparei com um desenho bem na bunda da moçoila!!!

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Reptilianos de Copacabana

Mais ou menos cinco da tarde. 36°. De vestido e havaianas, la vou eu a Sorveteria Italia.

Contando as moedas na fila, uma senhora (eu e eternas velhas de Copacabana) com a cara tao esticada que se levantar o braço, a perna vai junto (sabe como?), comenta sobre uma adolescente na fila:

“Coisa feia…menina nova, nova…o rabo todo de fora…celulite até dizer chega, né? “

Surpresa e sem graça com o palavreado, eu grunhi ameaçador:

- Ah…grhhunnnfff…é…

“Na minha época as moças tinham cintura fina, nao tinham um ‘isso’ de celulite, nem esse monte de toucinho vazando pela calça afora…”

Nada falei. Mas a velha continuou, em seu monologo:

“Hoje em dia, você vê as moças todas com o rabo de fora, barriga até dizer chega, cara furada de espinha, os fundilhos rasgados de estrias…”

Ja quase chegando a minha vez de pedir o meu tradicional picolé de chocolate com menta, eu a interrompo:

- Eh…Tristeza, né? Os tempos mudam e a gente nao acompanha. A minha avo conta que na sua mocidade, as velhas tinham a cara doce das senhorinhas, o rosto marcado pela idade e experiencia. Dava gosto visitar a avo, cabelinhos brancos, maozinha que era pura ruga, a casa com cheiro de bolo. Hoje em dia, as velhas estao em extincao. Dizem que é culpa da tal comida transgênica. Mutaçao. Vejo por ai umas senhoras que parecem reptilianos, com sua boca estufada cheia de colageno, a testa esticada de botox e a sobrancelha tatuada quase encostando no couro cabeludo. Os olhos sempre abertos. Estaticos. Sem expressao. Falando sem quase conseguir mexer a boca. Dificil é pra saber quando estao rindo ou chorando….

Enquanto eu desabafava, prestando atençao na fila do meu sorvetinho, percebi que a velha tinha sumido. Olhei pra um lado. Pro outro. La ia o reptiliano com sua pele cor de frango assado de padaria atravessando a rua com seu poodle…

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Pedras e borboletas

“O caminho parecia tranquilo. Reto. No mapa, parecia facil chegar ao destino final. Mas as curvas começaram a aparecer. E ela caminhava.

Se perdeu no meio de uma floresta. Chegou a parar muitas vezes para pedir informacoes, mas os caminhos e atalhos eram muitos e cada um falava uma coisa. “Direita ou esquerda? Sigo em frente? Ou volto e pego o atalho?”

Ela ia seguindo, sem medo, sem pressa. Subia algumas montanhas, pulava algumas poças d’agua. Mas o lugar nunca chegava. Passou por desertos. Viu cobras. Tigres e leoes.

Os dias pareciam longos, o Sol queimava-lhe o rosto. E ela continuava andando. Por muitos dias caminhou sem agua. A boca seca. Os olhos queimavam, mas ela andava. Andava. Sentava. Descansava. E nao chegava. As vezes ate chorava. Mas logo e levantava e seguia em frente. Matando sua sede nas lagrimas e no suor.

Numa noite, uma ventania forte fez voar seu mapa. Medo. Como ela conseguiria seguir viagem sem uma orientacao? Sozinha?

Mas ela seguiu em frente.

Quando se deu conta, olhou em volta: Areia de um lado. Areia do outro. Areia por todos os lados. A reserva de agua ja estava no fim.

E foi andando, andando. E vendo casas, camelos, vendedores, velhos, bicicletas, arvores, carros, bolas, pombos, beijos, predios, garrafas, protestos, onibus, fumaça, restaurantes, praias, avioes, luz, pedras, oculos, mesas, mendigos. Mas seguia sozinha.

Parou algumas vezes, tentou perguntar as pessoas porque elas corriam tanto. Queria saber o motivo de tanta pressa. Nenhuma resposta.

Resolveu caminhar um pouco ate a praia e sentou. Se viu completamente perdida. Sem o mapa, nao sabia mais para onde ia. Por que caminhava. Pra onde estava indo.”

***

Ah, o final da estoria? Nao sei.

Essa menina eu conheci ha muito tempo atras, numa segunda ou terça-feira, correndo de um lado para o outro, quando ela, sorrindo, me perguntou onde eu pretendia chegar. Nao soube responder. Engasguei e me calei.

Voltei pra casa aquele dia, tomei um banho e fui para um café perto de casa. Enquanto esperava meu capuccino, pensava na quantidade de pedras temos que explodir cada dia. Quantos muros temos que pular. Pra que? Por que?

“Senhora, açucar ou adoçante?”

Despertei com a garçonete me trazendo a bebida e notei uma pequena borboleta colorida, tranquila, pousando na mesa. “Que linda”, pensei. Num instante ela voou. Ainda tentei acompanha-la com os olhos, mas rapidamente ela sumiu.

“Pra onde vao as borboletas? Eu quero ir pra la…”

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Lava

A lava das minhas lagrimas queimava o rosto e, escorrendo pelos olhos, derretia a felicidade. A fumaça negra e densa da tristeza nao se dissipava. Pairava. E eu chorava. Chorava seco. Chorava silica, rocha e mineral. E de repente, tudo virou cinza.

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Medo…

Medo de nao dar certo. Medo de doenças. Medo de cair. De levantar. De acordar. De dormir e nao acordar. Medo de sair de casa. Medo de pegar um onibus. Medo de pegar um onibus errado. Medo de perder o onibus.

Medo de simplesmente nao conseguir. Medo do amanha. Do depois de amanha. Medo de gente. Medo de leite estragado, de celular sem bateria. Medo de tempestade, rato e barata. Medo dos pais. Do professor.

Medo de ficar presa no elevador. Medo de ficar presa no elevador, sozinha. Medo de ficar presa no elevador sem cameras de segurança, sozinha com um tarado.

Medo de ficar careca. Medo de ficar pra titia. Medo de ficar velha. Medo de fralda geriatrica. De dentadura. Medo de esquecer. Medo de lembrar. Medo de perder. Ou de achar.

Medo de telefone que nao atende. Medo porta que nao abre. Medo de cartao de credito que nao autoriza. Medo de aviao. Medo de dirigir.

MEDO.

Ja tive tantos medos. Dos mais estranhos e absurdos ate os mais banais. Nao que agora eu tenha ficado mais corajosa, mas…

Meu medo mesmo é que os imbecis tomem conta do mundo, como estou tendo a nitida impressao nesses ultimos tempos.

Pode vir barata, rato, tarado, leite azedo, onibus errado. Nao tem medo.

Mas nao me venha com imbecilidades. Porque agora nao tem mais medo: Tem lingua afiada..

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Mas quem é que nao tem horror a despertador?

despertador...
Blém, blém
ele canta pra mim e eu olho pra ele
com um certo desdém
Abafo seu som irritante
(que eu mesmo escolhi)
prorrogo meu sonho
Mais dez minutos…
Acho que é o bastante.

Blém, blém
com so um olho aberto
aperto, aperto
‘dez minutos, ta certo?’
e ele, obediente,
cronometra, esperto.

Horas se passam
Ele canta. Ele cala.
Essa ‘mala’…

Blém, blém
Ai, que preguiça!
Aparelhinho que nao enguiça!
Ta bem, ta bem…

E assim,
com um olho aberto,
o outro fechado
mal humorada,
cumprimento o dia,
com uma boca sem sorriso
e sabor de Nescau,
fechando o ziper pela escada…
é, é assim, apressada,
(atrasada)
que a minha casa eu dou tchau!

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Aprendiz de poeta

Menina poeta
da rima reta
sem regra,
sem metrica
Menina,
sem rima.
lapis borracha
lapis sem ponta
borracha tonta
aponta, aponta
escreve
apaga.
Rabisca,
nem pisca;
Menina poeta
palavra muda.
Pensa, pensa
fumaça vem
fumaça vai
palavra que entra
palavra que sai
Menina afobada
poesia empacada.
E a folha
amassada
parte branca
parte usada
gaveta com tranca
papel em branco guardada.

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Só? Só.

No escorredor um garfo, um prato e uma caneca. Uma escova de dente. Uma toalha no varal. No cinzeiro, a ponta de ontem. A janela que eu deixei aberta. A margarida seca. As drosófilas brigando pelas bananas que eu sempre esqueço. Miojo da Mônica. Filme do Gael Bernal.

Mas solidão mesmo é abrir a geladeira e encontrar apenas 100g de blanquet de peru, duas garrafas d’água (vazias) e um iogurte. Vencido.

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(In)utilidades do lar

E o falante senhor entra novamente no ônibus com sua mala de viagem lotada de cenouras, batatas, laranjas & afins. Se desculpa por interromper o silêncio da minha viagem e começa a apresentar algo que mudaria a minha vida…

“O camelô hoje (ele sempre vende o mesmo produto) vem trazendo aqui, em primeira mão (ja vi mais de dez vendendo isso) o sensacional descascador e boleador Ching Ling (ah, tá bom, vai, não lembro bem a marca, mas que era chinês, ah, só podia ser…) pra você dona de casa (dona de casa é o cacete!), pra você solteiro (começou a melhorar…). É praticidade e economia. Eu vou fazer uma pequena demonstração desse produto, onde vocês vão ver, senhores (a mais velha no ônibus era eu), que voces nao vao desperdiçar nada da sua fruta, do seu legume. Economia e praticidade aqui na mão do camelô.”

E com uma habilidade digna de um Claude Troigros, em segundos ele descasca três laranjas, duas cenouras, um pepino, faz bolinhas de batata…

Fiquei completamente cega. Encantada. Maravilhada. Eu preciiisooo desse descascadoooorrrr!!!!!

“Moço, quanto é?”
“Dois reais, freguesa! Vai levar quantos??”

Como assim ‘vou levar quantos’? Sera que ele acha que a família se reúne num domingo pra descascar batatas? Ou que eu vou visitar os parentes e levo um descascador de lembrancinha, com uma etiqueta “Andei de 415 e lembrei de você?”

“Moço, me vê um, por favor.”

***

Chegando em casa, feliz proprietária de um super-ultra-mega descasqueitor Ching Ling, vou procurar legumes para testar minha nova ferramenta.

O manual de instruções todo em chinês. Lembrei da demonstraçao do sorridente (1001) senhor, pensei: “Que manual, que nada…é simples”.

Tenta daqui, tenta dali. Nada. “Deve ser essa batata”, pensei. Pego um chuchu. Tento de novo. Mudo de posição. Respiro. Tento de novo. Quase arranco dois dedos. Desisto de tentar descascar. Pego a batata novamente e tento usar o boleador. Tenta daqui, dali. Nada. Estraçalhei tudo, descasquei minha unha (R$ 20,00 manicure…ai, meu bolso). Nada.

A essa altura, eu já estava suando, gritando, praguejando, cuspindo marimbondo e desejando toda sorte de ruindades praquele safado que me vendeu essa joça e nao me avisou que era preciso mestrado pra usar essa porcaria que me custou ricos R$ 2,00!!!!!!!!!!!

Nem precisa dizer que joguei o Ching Ling na parede com toda minha força. Nao quebrou. Peguei cuidadosamente, joguei no chão, pulei três vezes em cima. NAO QUEBROOOOUU!!!!! Respirei fundo. Peguei um saco de supermercado, botei la dentro, dei 10 nozinhos e joguei na lixeira do prédio.

Ufa!

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Pagode japa

Ai, gatinha…da uma chance pra esse lixo maravilhoso!

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Velhinha safada

No elevador. 8 da manhã. Abro a porta, uma velhinha adorável, acho que do 5º andar, me sorri.

- Bom dia – eu a cumprimento.
- Bom dia, minha filha.
-…
- Você que é a namoradinha do gringo?
- err…..sim, sim,…- um tanto constrangida.
- Ah, vocês tem muito tempo juntos?

Antes que eu respondesse…

- Esse apartamento é proprio ou alugado? Vocês sao casados mesmo ou estao nessa moda de ‘amigados’? Você trabalha, minha filha? Ta com quantos anos? Ta tao magrinha, né? Chega ta com olheira…

Olha, ela poderia ter perguntado o que quisesse, dito qualquer sorte de coisas pra mim, mas as 8 da manha, dizer que ‘to magrinha e cheia de olheiras’…ah, essa foi demais!

Na primeira pausa para respiraçao que a velha fez, sem pestanejar eu respondi:

- Sou magrinha, sim. Mas posso engordar. E a senhora, que é feia????

Obviamente que a resposta foi interna. Antes que eu pudesse ter tempo de verbalizar, o elevador ja tinha chegado no terreo e eu, mais que correndo, me despedi com um sorriso de odio e fui trabalhar. Pau da vida. Velhinha safada.

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Lá vem o Sol

Cadê o inverno?

Sacanagem,…comprei roupa, me agasalhei e to aqui, suando…..

Esse aquecimento global ainda me endoida,…

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Mais uma de celular…Claro!

Reclamação Nr: 200998672771

Hoje entrei em contato com a central de atendimento Claro e falei com o Ronaldo. Abri a reclamação de nr 200998672771.

Acontece que há muito tempo venho recebendo um PLANTAO KUT (nem sei do que se trata), com mensgens de conteúdo que em nada me interessam (bate-papo, frases de pensadores, entre outros) e em horários altamente inapropriados.

Essas mensagens sempre me importunaram, nos mais variados horários, inclusive de madrugada, além de frequentemente esgotarem a bateria de meu aparelho. Mas até então, eu que utilizou pouco meus créditos, já que trabalho muito e pouco tempo me resta para fazer ligações, salvo para urgências, não sabia que estas mensagens ‘intrusas’, não-autorizadas e até mesmo ilegais eram cobradas.

O fato é que eu consultei meu saldo de crédito na sexta feira (3/jul) e tinha R$ 6,59. No sábado viajei para Petrópolis e recebi o dia inteiro essas mensagens do PLANTAO KUT e ao tentar efetuar uma ligação, qual não foi minha surpresa, tinha apenas R$ 0,01 de crédito. E, quando finalmente meu saldo estava esgotado, as mensagens pararam!!! Que coisa, não?

Eu só descobri que estas mensagens eram cobradas quando viajei e precisei utilizar meus créditos.

Considero um tremendo e descarado absurdo, falta de ética e de respeito ao cliente além de uma injustiça o débito indevido de meus créditos para um serviço o qual nunca solicitei. Repito: Nunca solicitei.

Os atendentes da CLARO me disseram não poder enviar reclamação para estorno do valor debitado indevidamente, sem minha permissão por ser impertinente.

Informo que esta mensagem está sendo enviada também para meu advogado, caso não seja estornado, entrarei com um processo – danos morais e materiais.

Estou no aguardo de um contato e providências (envio de detalhamento de chamadas dos últimos 6 meses, estorno de todas as mensagens provenientes do número 43019).

Medidas: Caso não seja contactada em 5 dias úteis, levarei o caso a ANATEL, em seguida, medidas judiciais.

Gostaria ainda de ser informada de um endereço para envio desta correrspondência através de Correios.

No aguardo de prontas providências, coloco-me à disposição nos telefones abaixo:

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Cel..: 21 9388 ****
Com: 21 3*0* 0*0*
Email: paula@*********.com.br
Endereço: R *** ***, *** / ***

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** Este email será publicado na íntegra no meu blog www.asteroidepaula.wordpress.com, além de todos os veículos informativos de defesa do consumidor.

Atenciosamente,

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