Mais ou menos cinco da tarde. 36°. De vestido e havaianas, la vou eu a Sorveteria Italia.
Contando as moedas na fila, uma senhora (eu e eternas velhas de Copacabana) com a cara tao esticada que se levantar o braço, a perna vai junto (sabe como?), comenta sobre uma adolescente na fila:
“Coisa feia…menina nova, nova…o rabo todo de fora…celulite até dizer chega, né? “
Surpresa e sem graça com o palavreado, eu grunhi ameaçador:
- Ah…grhhunnnfff…é…
“Na minha época as moças tinham cintura fina, nao tinham um ‘isso’ de celulite, nem esse monte de toucinho vazando pela calça afora…”
Nada falei. Mas a velha continuou, em seu monologo:
“Hoje em dia, você vê as moças todas com o rabo de fora, barriga até dizer chega, cara furada de espinha, os fundilhos rasgados de estrias…”
Ja quase chegando a minha vez de pedir o meu tradicional picolé de chocolate com menta, eu a interrompo:
- Eh…Tristeza, né? Os tempos mudam e a gente nao acompanha. A minha avo conta que na sua mocidade, as velhas tinham a cara doce das senhorinhas, o rosto marcado pela idade e experiencia. Dava gosto visitar a avo, cabelinhos brancos, maozinha que era pura ruga, a casa com cheiro de bolo. Hoje em dia, as velhas estao em extincao. Dizem que é culpa da tal comida transgênica. Mutaçao. Vejo por ai umas senhoras que parecem reptilianos, com sua boca estufada cheia de colageno, a testa esticada de botox e a sobrancelha tatuada quase encostando no couro cabeludo. Os olhos sempre abertos. Estaticos. Sem expressao. Falando sem quase conseguir mexer a boca. Dificil é pra saber quando estao rindo ou chorando….
Enquanto eu desabafava, prestando atençao na fila do meu sorvetinho, percebi que a velha tinha sumido. Olhei pra um lado. Pro outro. La ia o reptiliano com sua pele cor de frango assado de padaria atravessando a rua com seu poodle…

Medo!!! essa é a palavra kkkkkk
que sacada. adooooooooooooooro!!! Essa é minha linda.
KKKKKKKKKKKKK
Adorei!
Se os velhos não podem criar suas rugas…
O novo ja nasce velho